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Friday 13 December 2019
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Varnashrama

 

 

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Varnashrama Dharma, ou sistema social védico, e sua possível aplicação nos dias atuais é praticamente um desafio no mundo moderno. E o filósofo A. C. Bhaktivedanta Swami, ainda nos anos 60, foi o primeiro a trazer o tema para ser discutido no Ocidente, inclusive em ambiente acadêmico, nos Estados Unidos.

Entretanto, segundo Bhaktivedanta Swami, para discutir o tema, deve-se levar em consideração que, de acordo com a concepção védica, tudo no mundo é propriedade da Suprema Personalidade. De acordo com o Isopanishad e os Puranas védicos, qualquer indivíduo pode desfrutar daquilo que lhe é reservado pela Suprema Personalidade, porém ninguém deve usurpar a propriedade dos outros.

O antigo sistema social védico, chamado Varnashrama, propõe quatro varnas (divisões sociais): brahmana; kshatriya; vaishya, e shudra; e quatro ashramas (divisões espirituais): brahmachari; grhastha, vanaprastha e sannyasi. Essas divisões prescrevem deveres materiais e espirituais para diferentes membros da sociedade. E segundo o conceito védico de vida, sem este sistema social, a civilização é impossível.

No Bhagavad-gita está declarado que este sistema foi criado por Deus e, portanto, deve prevalecer em toda parte. Os brahmanas, a classe dos intelectuais e professores, constituem o cérebro da sociedade. Os kshatriyas, a classe administrativa – os braços do corpo social. E os vaishyas, a classe produtiva – comparada ao estômago do corpo social. Finalmente os shudras, a classe dos trabalhadores, são as pernas da sociedade.

Bhaktivedanta Swami explica que, para satisfazer as necessidades do corpo, é necessário existirem um cérebro, braços, um estômago e pernas. Estes órgãos são todos necessários para a cooperação com o propósito de cumprir a missão de todo o corpo. Desse modo, em qualquer sociedade, a menos que haja essas quatro divisões, haverá caos.

Nas sociedades védicas, os monarcas tinham um corpo de brahmanas, sábios eruditos, para suas consultas – um corpo consultivo. Os reis não eram independentes. A história registra que se um rei não agisse de acordo com os princípios védicos, ele era destronado pelo conselho consultivo de brahmanas. Embora os brahmanas não se envolvessem em políticas, eles aconselhavam o rei a como agir.

Dentro das divisões espirituais, o brahmachari é o jovem estudante que se prepara para seguir a vida renunciada, monástica e celibatária de um sannyasi ou para se tornar um grhastha, isto é, chefe de família. Auxiliado por um mestre espiritual, o brahmachari se dedica ao estudo das escrituras sagradas e dos princípios védicos, além de servir ao guru com disciplina de celibato e aprender a controlar os sentidos, para se tornar um bom monge ou um bom chefe de família. Entretanto, o chefe de família que, embora casado, permaneça desapegado da vida material e fixo em devoção à Verdade Absoluta, pode afinal aceitar a ordem de vanaprastha e se entregar de vez ao serviço devocional.

O sistema social védico é uma ordem natural que possibilita o desenvolvimento digno de uma sociedade, de acordo com os anseios de cada indivíduo. Conforme A. C. Bhaktivedanta Swami, cientificamente, o objetivo da vida humana é a auto-realização. Segundo ele, a não ser que os membros da sociedade humana cheguem ao ponto da auto-realização, eles serão derrotados em tudo que façam.

Nos idos dos anos 60, Bhaktivedanta Swami já dizia que esta é a realidade da sociedade moderna: a despeito de todo o desenvolvimento econômico e outros avanços, ao invés de se manter a paz e a tranqüilidade, luta-se – individual, social, política e nacionalmente.




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