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A VIDA BEM-SUCEDIDA NA CULTURA VÉDICA* – por Lokasākṣi Dāsa

A preocupação dos antigos com a “vida boa”, que se refletia na busca da felicidade, e que, na modernidade, cedeu lugar ao que conhecemos por “vida bem sucedida”, também podia ser encontrada na tradição védica[1] (descrita como o sanātana dharma e identificada com o hinduísmo). As escolas filosóficas ortodoxas da Índia, “os Darśanas[2]”, sempre tiveram como objetivo bem definido a busca da felicidade. 

Na cultura védica a transcendência nunca perdeu o seu lugar. [3] Geralmente buscava-se a felicidade na plataforma da auto realização. Portanto, a meta última da existência humana seria a realização do Brahman, do “Espírito”. Isso é afirmado nos Vedānta-sūtrasathato brahma-jijñāsa, “Agora nesta vida é hora de indagar sobre o Espírito” [4]. 

Esse Brahman se identificava com o Ātman, o “si-mesmo” [5], ou seja, situa-se no plano do “ser” que é “consciente de si-mesmo”. Mas o conceito do ātman não é unívoco; dependendo da consciência com que se experimenta a realidade ele pode indicar o corpo, a mente ou o espírito [6]. Essa confluência de opostos sempre caracterizou a compreensão védica do papel do homem no mundo. Portanto, na cultura védica temos três características fundamentais que norteiam a existência humana. São eles os três caminhos ou margas: 1) pravṛti-marga, 2) nivṛtti-marga e 3) upāsana-marga

Sobre a denominação de pravṛtti indicam-se todas as crenças e práticas relacionadas com a existência mundana, que incluiria as obrigações religiosas e sociais. Nivṛtti seriam as atividades de negação ou superação da existência material temporária, em proveito da realização da natureza eterna do ātman. Enquanto que upāsana seriam as atividades de meditação e adoração da Divindade, no plano da vida mística.